Membros do Partido dos Trabalhadores (PT) manifestaram receio com a imprevisibilidade das últimas semanas antes do primeiro turno das eleições. O grupo aponta que a situação tornou-se difícil devido a vazamentos seletivos de inquéritos da Polícia Federal (PF) relacionados ao caso do Banco Master.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, nesta quarta-feira (9), a quebra completa do sigilo das investigações sobre o Banco Master. A declaração ocorreu após o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado na terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi posteriormente anulada pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, que suspendeu as ordens de Mendonça e do ministro Flávio Dino.
A instabilidade no STF foi agravada pela revelação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O deputado Paulo Guedes (PT-MG) afirmou que o presidente trata todos os magistrados com deferência e que não possui “ministro de estimação”. Guedes rebateu tentativas de associar Lula a Moraes, lembrando que o ministro foi indicado por Michel Temer.
Internamente, petistas avaliam que o governo se aproximou excessivamente de Moraes, especialmente após o julgamento do 8 de Janeiro, e agora paga o preço político. A relação teria estremecido recentemente por suspeitas de que o magistrado teria atuado para que o Senado rejeitasse a indicação de Jorge Messias ao STF.
O coordenador da campanha de Lula no Amazonas, Marcelo Ramos, alertou para a possibilidade de “factoides” prejudiciais ao presidente. Ramos citou o interesse da extrema-direita global, do governo dos Estados Unidos e de empresas de tecnologia no Brasil, mencionando a ascensão de governos de direita no Peru e na Colômbia.
Sobre as pesquisas que indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), Ramos disse que os números não são motivo de desespero, mas de mobilização. Paralelamente, congressistas do PT criticam falhas no setor de comunicação da campanha e a dificuldade de a esquerda competir com a direita nas redes sociais.


