A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 97% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo semestre, o preço médio do querosene de aviação nas refinarias subiu 97,6%, enquanto o petróleo Brent, referência internacional, teve alta de cerca de 50%.
A companhia informou que o resultado foi impulsionado pela exploração e produção, com o barril do Brent atingindo média de US$ 104,52, contra US$ 67,82 no ano anterior. O caixa livre fechou o trimestre em R$ 38,6 bilhões e o fator de utilização do refino operou em 101%, com destaque para a produção de diesel e querosene.
Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, entre 23 de fevereiro e 24 de maio, a variação do querosene superou a do Brent. Diferente da gasolina e do diesel, que tiveram choques amortecidos por subvenção econômica da Medida Provisória 1.358, o querosene ficou fora do benefício, o que amplificou o repasse de custos ao setor aéreo.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Concorrência e Inovação indicou a existência de assimetria nos preços, onde as altas são rápidas e as quedas lentas. Um reajuste de 55,2% em 1º de abril elevou o custo de cada bilhete em R$ 179,30, segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Apenas 30% desse impacto chegou ao passageiro, comprimindo as margens das companhias aéreas.
A instabilidade nos preços resultou na suspensão ou redução de 38 rotas alimentadoras em aeroportos de pequeno e médio porte entre março e junho. As afetações concentraram-se no interior das regiões Norte e Centro-Oeste. Mesmo com cortes de 27% no preço do querosene entre junho e julho, as tarifas médias nacionais não recuaram, fechando julho com alta de 15% em relação a janeiro.


