Integrantes da cúpula da Polícia Federal (PF) afirmam que a Advocacia-Geral da União (AGU) foi omissa na crise institucional com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão jurídico da União, comandado por Jorge Messias, rebate a acusação e afirma que a postura evitou a anulação de investigações sobre o Banco Master.
O conflito escalou após a PF solicitar que a AGU atuasse no STF para reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre inquéritos sob sua relatoria. A AGU, responsável pela representação jurídica da União, manifestou-se contrariamente a essas demandas. A tensão aumentou quando o caso Master foi sorteado para André Mendonça, em fevereiro, após a revelação de mensagens entre Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel sobre pagamentos à empresa Maridt.
Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF a informações de inquéritos que avançavam sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em julho, o ministro determinou que atos da investigação sobre fraudes no INSS fossem centralizados em seu gabinete, impedindo a passagem de dados por outros departamentos da PF, como a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.
A corporação interpretou as medidas como intromissão na gestão de equipes e violação de competências. A PF pediu a a AGU que buscasse remédio judicial contra as determinações, o que não ocorreu. Na semana passada, Mendonça ordenou que a PF identificasse, em 72 horas, pessoas mencionadas em mensagens no celular de Vorcaro, incluindo trocas com o ministro Alexandre de Moraes e menções ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Jorge Messias tentou articular solução consensual em agosto, promovendo reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, encontro que não contou com a presença de Andrei Rodrigues. A AGU sustenta que não houve omissão e que a estratégia visa impedir que advogados de alvos questionem a validade dos inquéritos.
O material elaborado pela PF sobre Alexandre de Moraes teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º). O conteúdo revela mensagens de Vorcaro para Moraes, incluindo um questionamento do ex-banqueiro sobre a possibilidade de deixar o país dois dias antes de ser preso.


