A Polícia Federal (PF) apurou que Belline Santana, chefe de supervisão do Banco Central do Brasil (BC), recebeu pagamentos de até R$ 760 mil vinculados ao Banco Master. As informações constam em documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta quinta-feira (10).
O relatório da corporação indica que os valores foram repassados ao servidor por meio de terceiros. Mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele detalham a dinâmica dos pagamentos. A decisão do STF, tomada a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, abrange 15 procedimentos relacionados ao caso do Banco Master.
Segundo a PF, em 9 de janeiro de 2024, Fabiano Zettel enviou mensagem a Vorcaro mencionando um pagamento pendente para Santana. No dia 30 de janeiro do mesmo ano, Zettel afirmou que realizaria o repasse ao chefe de supervisão do BC. Em 2 de outubro de 2024, nova comunicação indicou que parte do dinheiro enviado a Leonardo Palhares teria como destino real o servidor.
O valor citado nesse repasse específico foi de R$ 760 mil. Outra conversa, datada de 10 de dezembro de 2024, entre Vorcaro e Ana Claudia Queiroz de Paiva, explica o fluxo financeiro. Paiva afirmou ao empresário que fazia o pagamento para Palhares, que então transferia a quantia para Santana.
Em 2 de janeiro de 2025, Zettel enviou a Vorcaro uma lista de pagamentos em aberto, na qual o nome de Santana aparece associado a R$ 750 mil. A investigação registra ainda a indicação de um novo pagamento relacionado ao servidor em setembro de 2025, no valor de R$ 500 mil. Os dados integram a apuração da PF sobre as operações do Banco Master.

