Um relatório da Polícia Federal (PF) afirma que o advogado Ciro Soares atuou como intermediário entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento, tornado público após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha trocas de mensagens e chamadas de voz ocorridas em 2025.
Segundo a PF, no dia 15 de março de 2025, Soares enviou uma selfie com Gonet para Vorcaro via WhatsApp, solicitando que o banqueiro ligasse para o procurador. Dez minutos após a imagem, foram registradas quatro chamadas de voz entre o advogado e o empresário, com durações que variaram entre 17 segundos e 3 minutos e 49 segundos.
O relatório indica que, em 28 de março, Soares encaminhou mensagens atribuídas a Gonet com frases como “Estou na torcida por vocês” e “Tomara que tenha charuto e macallan”. O diálogo referia-se a um fórum jurídico em Londres organizado por Vorcaro e patrocinado pelo Banco Master, evento que acabou cancelada. Em uma edição anterior, realizada em abril de 2024, a degustação de whisky Macallan custou US$ 640.831,88. Gonet, o ministro Alexandre de Moraes e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, estavam entre os 40 participantes.
As investigações apontam ainda que, em 29 de março de 2025, Soares informou a Vorcaro que o procurador-geral pediu que o banqueiro financiasse a ida do filho de Gonet para Londres. Vorcaro teria respondido “Óbvio né”. Posteriormente, em 11 de abril, o empresário aprovou a viagem do filho do PGR e do próprio advogado, rejeitando bancar outros convidados da lista.
As informações fazem parte de um documento de 218 páginas elaborado a pedido do ministro André Mendonça para identificar uma rede de influência de Vorcaro. Os dados foram extraídos do celular do banqueiro, apreendido na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
A PF informou que a análise não foi exaustiva devido ao prazo de 72 horas determinado pela Justiça. O relatório também cita mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, mas parte do conteúdo é desconhecido porque as mensagens foram enviadas com o recurso de visualização única do WhatsApp. Procurados, Paulo Gonet, Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam.


