Relatórios da Polícia Federal (PF) indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu informações confidenciais de integrantes do Banco Central (BC). Os dados surgiram após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo do caso envolvendo o Banco Master, revelando anotações no aparelho celular do ex-banqueiro sobre reuniões e interlocutores.
A PF encontrou registros de uma viagem a Abu Dhabi, onde Vorcaro descreveu a crise da instituição financeira e afirmou ter recebido dados sigilosos de membros do BC. Uma das notas menciona que diretores e uma pessoa identificada como “G” estavam sob pressão para agir. Os investigadores identificaram “G” como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo a apuração, a pressão mencionada vinha da PF e do Ministério Público Federal (MPF), que ameaçavam tomar providências contra Vorcaro. Em outro registro, intitulado “De pessoas de dentro do BCB que são meus amigos e ficaram preocupados”, o ex-banqueiro declarou que seus contatos participaram de uma reunião, classificando as informações como 100% confiáveis.
A perícia técnica identificou conversas entre Vorcaro e Paulo Sergio Neves de Souza, chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), além de Belline Santana, chefe do mesmo departamento. A PF informou que o Desup é vinculado à Diretoria de Fiscalização do BC e que esses servidores atuavam em processos de interesse de Vorcaro e do Banco Master.
No início de 2025, o Banco de Brasília (BRB) negociava a compra do Master. A operação, baseada em números de junho de 2024, equivalia a 75% do patrimônio líquido consolidado do banco, totalizando R$ 3,5 bilhões. O fechamento do negócio dependia de reorganização da instituição, homologação de aumentos de capital e aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central.

