Relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF), utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir a abertura de investigação contra o ministro André Mendonça, apontam que o magistrado teria direcionado investigações e tratado o senador Davi Alcolumbre como um alvo estratégico por sua influência política no Senado Federal.
Os documentos, que não possuem assinatura de um responsável específico, analisam a condução da relatoria do caso Master. A PF questiona a postura da Advocacia-Geral da União (AGU), sob comando de Jorge Messias, ao rejeitar pedidos da corporação para recorrer de decisões atípicas de Mendonça. O relatório levanta a hipótese de que Messias buscou preservar a relação política com o relator.
A Polícia Federal sugere que a aproximação entre Mendonça e Messias pode ter sido uma estratégia para recompor forças no Supremo Tribunal Federal (STF), visando uma possível anistia aos atos de 8 de janeiro. Embora a PF tenha classificado essa possibilidade como baixa, a hipótese autoriza a coleta de informações para conclusão do caso.
Outro ponto crítico refere-se à determinação de Mendonça para que a PF identificasse, em 72 horas, pessoas mencionadas em mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O relatório afirma que tal medida não foi uma identificação, mas um ato de investigação de alcance amplo, sem autorização específica e perante juízo sem competência para algumas das pessoas citadas.
O documento menciona ainda que a investigação fez imputações genéricas contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A proximidade de Gilmar Mendes com Gonet poderia levar Mendonça a arrolá-lo como testemunha, enquanto Mendes teria criticado a condução do caso por Mendonça.
Sobre Davi Alcolumbre, a PF indica que o senador era alvo estratégico devido ao controle da pauta do Senado, especialmente no processamento de pedidos de impeachment de ministros do STF. No quadro de riscos, a PF avalia que as atitudes de Mendonça geram risco de nulidade por suspeição e contaminação da fonte probatória.


