A Polícia Federal (PF) incluiu o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, em um relatório de 50 páginas entregue ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento analisa a atuação de Messias diante do conflito entre a corporação e o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master.
Segundo a imprensa local, os investigadores listaram quatro hipóteses para explicar por que o chefe da AGU hesitou em acionar o STF contra Mendonça. A preservação de ligações políticas com o relator foi apontada como o motivo principal para a recusa do órgão.
Mendonça apoiou a indicação de Messias ao STF em abril deste ano, embora a nomeação tenha sido frustrada. Ambos compartilham a mesma matriz religiosa evangélica.
A direção da AGU avaliou que uma ofensiva jurídica contra o magistrado traria riscos de anulação nas investigações. Integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva temiam que a medida desse argumentos aos alvos dos inquéritos para derrubar provas sobre esquemas do Banco Master e de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Mendonça conduz processos com impacto político, incluindo apurações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, contesta decisões do magistrado, que exigiu o envio de material bruto sobre o escândalo do INSS e estabeleceu aviso prévio para trocas na assessoria policial.
A chefia da PF interpretou as determinações de Mendonça como interferência na gestão interna da corporação.


