A Polícia Federal informou, na noite de quarta-feira (9), que nenhuma criança brasileira estava entre as 163 localizadas em operação policial na Flórida, nos Estados Unidos. A informação ocorre após a prefeitura de Bacabal e a família de dois irmãos, desaparecidos desde janeiro no Maranhão, solicitarem o cruzamento de dados com as autoridades americanas.
Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, sumiram no dia 4 de janeiro de 2026 na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal. Na data, as crianças estavam com um primo de oito anos, que foi encontrado vivo três dias depois. Os irmãos seguem desaparecidos.
A suspeita de que estivessem no exterior surgiu após o procurador-geral James Uthmeier anunciar, em 2 de setembro, que a operação Statewide Shield resgatou 163 crianças na Flórida. A mãe, Clarisse Cardoso, afirmou ter identificado semelhanças entre fotografias de uma das crianças localizadas e o filho Allan.
A prefeitura de Bacabal solicitou à Polícia Federal, na terça-feira (8), a verificação de fotos e dados dos irmãos nos cadastros internacionais. O Núcleo de Cooperação Internacional da PF disponibilizou ferramentas da Interpol para auxiliar na localização e eventual repatriação, incluindo a possibilidade de emissão de avisos nas categorias amarela e azul.
A advogada da família, Nathaly Moraes, informou que a mãe apresentou a solicitação pessoalmente na Superintendência da PF em São Luís nesta quarta-feira. Mesmo com a negativa da PF sobre a presença de brasileiros no grupo resgatado, a defesa defende a coleta de material genético da mãe para comparações em outros países.
A Polícia Civil do Maranhão declarou que o alerta internacional não confirma a localização das crianças no exterior nem altera as linhas de investigação. A corporação ressaltou que não há informações concretas que indiquem que os irmãos tenham saído do Brasil.
A falta de documentos de identificação de Ágatha e Allan é apontada como um obstáculo para a inclusão de dados em bases oficiais. A prefeitura de Bacabal informou que mantém apoio psicológico e social à família e aos moradores da comunidade quilombola.


