A Polícia Federal detalhou, em documentos tornados públicos nesta sexta-feira (11), a relação entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e dois servidores afastados do Banco Central (BC). Segundo a PF, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana atuavam como consultores informais do banqueiro, oferecendo orientações e intervindo em assuntos de supervisão bancária.
Os investigadores apontam que a atividade dos servidores extrapolava as atribuições de seus cargos e utilizava conhecimentos internos da instituição para atender interesses de Vorcaro. O relatório indica que a relação envolvia a cobrança e a realização de pagamentos. A PF identificou mensagens que mencionam o valor de R$ 760 mil relacionado a Belline.
Paulo Sérgio trabalhava no Departamento de Supervisão Bancária (Desup), área responsável por acompanhar capital, liquidez e gestão de instituições financeiras. Em dezembro de 2023, ele teria enviado sugestões a Vorcaro sobre a estratégia para uma reunião com o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, tratando da ampliação de serviços de pagamento para clientes do Credcesta.
Outro episódio ocorreu em abril de 2025, quando o servidor revisou a minuta de um ofício do Banco Master destinado ao Desup. Na época, o setor alertava sobre a necessidade de manutenção de indicadores de liquidez. A PF considera que o ato reforça a hipótese de atuação em benefício direto do Banco Master.
Em outubro de 2025, Belline Santana criou um grupo de mensagens com Vorcaro e Paulo Sérgio para facilitar a comunicação. Segundo a PF, o canal servia para tratar de documentos e interesses do banqueiro, incluindo a revisão de textos para evitar problemas regulatórios. O contato entre Belline e Vorcaro teria começado antes, em novembro de 2023, para tratar de temas ligados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Sobre os pagamentos, a PF encontrou mensagens de Fabiano Zettel avisando Vorcaro sobre datas de repasses ao servidor. Em outubro de 2024, Zettel explicou que parte de um valor enviado a Leonardo Palhares seria destinada a Belline. O relatório afirma que o dinheiro passava por outras empresas antes de chegar ao destinatário final.
As informações integram as investigações do caso Banco Master, que teve o sigilo parcialmente retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. A PF ressalta que as conclusões são avaliações da investigação e que responsabilidades criminais dependem de análise de autoridades competentes e decisões judiciais.

