A Polícia Federal informou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teve conhecimento antecipado das medidas da Operação Compliance Zero e tentou deixar o Brasil antes de ser preso, em novembro de 2025. A conclusão consta em documentos que tiveram o sigilo retirado nesta quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Vorcaro foi detido na noite de 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O banqueiro se preparava para embarcar em um jato particular com destino final aos Emirados Árabes Unidos, enquanto a operação policial foi deflagrada na manhã seguinte.
A apuração indica que, no dia 16 de novembro, o executivo fez anotações sobre a proximidade de uma pessoa com o juiz federal Ricardo Soares Leite. Na manhã seguinte, ele recebeu mensagens urgentes de seu advogado, Walfrido Warde, e informou que marcaria um voo com saída do Aeroporto de Congonhas.
Investigadores apontam que Vorcaro mantinha contatos com Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, então ligados ao Banco Central (BC). A PF sustenta que ambos atuavam informalmente em favor do Banco Master e teriam recebido vantagens indevidas.
Em representação enviada ao STF em fevereiro, a PF afirmou que Paulo Sérgio orientava o banqueiro sobre reuniões e documentos enviados ao BC. Belline teria desempenhado papel semelhante. A polícia encontrou um grupo de mensagens utilizado pelos três para discutir interesses da instituição financeira.
Segundo a cronologia da PF, Paulo Sérgio e Belline sugeriram que Vorcaro conversasse com Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, ainda em 17 de novembro. O encontro foi marcado para o início da tarde, mas os investigadores acreditam que o banqueiro buscou acelerar a reunião por já estar ciente da iminente atuação policial.


