A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro um contrato de R$ 50 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. O acordo previa a transferência de cotas de duas aeronaves em uma estrutura de sociedade oculta, segundo diálogos reproduzidos em relatório da corporação.
As mensagens indicam que Vorcaro e auxiliares buscaram um instrumento jurídico para a cessão dos ativos, pois o escritório de Viviane não queria figurar formalmente como sócio de empresas ligadas ao banqueiro. O contrato foi firmado em maio de 2025 por meio da Viking Participações, empresa de gestão patrimonial de Vorcaro.
Um primeiro contrato entre o banqueiro e a advogada teria sido assinado pelo Banco Master no início de 2024, com valor total de R$ 131 milhões. No segundo acordo, o advogado Leonardo Palhares sugeriu a Vorcaro um formato de transferência com opção de recompra, proposta que foi rejeitada pelo banqueiro, que afirmou que os ativos já pertenciam ao escritório.
O relatório da PF detalha a tentativa de transferir as aeronaves de forma camuflada. Documentos enviados à advogada referiam-se a um avião Legacy 650, com cota de US$ 5.512.951,89, e a um helicóptero EC 155 B1, com cota de US$ 1.335.014,01. Em julho de 2025, diálogos mostram Viviane confirmando que estava utilizando as aeronaves e que estava satisfeita com a experiência.
A assessoria de Viviane Barci de Moraes informou, em nota, que a proposta foi extinta com a liquidação do Banco Master. A defesa afirmou que o escritório possuía apenas uma contratação com a instituição, negou qualquer transferência ou substituição de contrato e declarou que nada foi assinado, encerrando-se qualquer vínculo com o banco.


