A Polícia Federal realiza buscas domiciliares e pessoais nesta quinta-feira (3) contra o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB). A ação integra uma investigação sobre a existência de uma organização criminosa que teria atuado na compra de votos, fraude à cota de gênero e lavagem de dinheiro nas eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
A operação é um desdobramento de apurações iniciadas em outubro de 2024, quando 24 pessoas, incluindo três policiais militares, foram presas em flagrante na véspera do primeiro turno. Em fevereiro de 2025, a Operação Astreia mirou o atual prefeito de Nilópolis, Abraão David Neto, conhecido como Abraãozinho (PL), com a apreensão de R$ 172 mil em espécie em sua residência.
O cenário policial coincide com uma ruptura interna entre as famílias Abraão e Sessim, que controlam a escola de samba Beija-Flor há mais de 50 anos. Anísio Abraão David, patrono da agremiação, diverge da gestão do sobrinho, o prefeito Abraãozinho, e do outro sobrinho, Ricardo Abrão. A tensão envolve a condução da política local e a sucessão do grupo.
Segundo interlocutores, Anísio teria proposto um acordo a Ricardo Abrão para que este apoiasse a candidatura de João Drumond a deputado estadual e disputasse a prefeitura em 2028. A recusa de Ricardo em abrir mão do apoio a Rafael Nobre teria intensificado o isolamento do parlamentar e a insatisfação do tio. A relação entre os dois é descrita como a mais desgastada do clã.
A disputa familiar também envolve o ex-prefeito Sérgio Sessim, que rompeu com Abraãozinho após a morte de Farid Abraão, pai de Ricardo, em 2020. O conflito foi agravado pela renomeação de um parque municipal com o nome de Farid em 2022, decisão que desagradou a ala dos Sessim. Em 2024, Sessim tentou articular uma frente de oposição ao atual prefeito, mas a chapa terminou em segundo lugar.
Em ações anteriores, a PF apreendeu R$ 63 mil em espécie e uma lista de eleitores em um imóvel usado por Abraãozinho durante a campanha. Outro item apreendido foi um carro de luxo avaliado em R$ 200 mil, atribuído ao procurador-geral da Câmara Municipal, Bruno Cabral Pereira. O prefeito negou as acusações e afirmou que sua vida pública é pautada pela verdade.


