A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para investigar o desvio de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares, destinados ao filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura repasses feitos pelo deputado federal Mario Frias (PL) a uma produtora cinematográfica.
Investigadores identificaram que transferências de R$ 645,4 mil realizadas por Frias para a GoUp Entertainment são incompatíveis com a renda do parlamentar. Segundo a PF, os rendimentos mensais do deputado são de R$ 44.008,52, valor que não justificaria o volume de recursos enviados à empresa em um período inferior a 60 dias.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Os principais alvos são o deputado e a empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e produtora do filme por meio da GoUp Entertainment.
A apuração indica a existência de uma organização criminosa estruturada para captar e ocultar verbas públicas. A PF apontou coincidência temporal entre as gravações da obra e o envio de emendas. Frias, que atua como produtor executivo do longa, destinou R$ 1 milhão via emenda ao ICB para um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo que não teria sido executado.
O ministro Flávio Dino impôs medidas cautelares que impedem o deputado e a empresária de deixar o país e de manter contato entre si. A decisão, datada de 3 de setembro e com sigilo derrubado nesta quinta-feira, baseou-se no risco de alinhamento de versões ou destruição de provas.


