A Polícia Federal (PF) investiga se Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tentou influenciar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. A apuração, detalhada em relatório, foca em um processo da destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que cobrava indenizações da União.
A decisão do tribunal poderia impactar uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios no balanço do Banco Master. Segundo a PF, a diretoria da instituição ficou preocupada após Toffoli votar a favor da União em um processo da Raízen, divergindo de votos anteriores em casos semelhantes.
Mensagens analisadas pelos investigadores mostram o diretor jurídico André Kruschewsky questionando Vorcaro sobre a necessidade de se movimentar. O banqueiro afirmou que acompanhava o caso e que estava tratando da situação. Kruschewsky chegou a oferecer ajuda para retirar o processo da pauta, o que levou a PF a concluir que o diretor aparentava ter acesso ao STF para interferir no caso.
O julgamento foi adiado após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Na retomada, Toffoli votou a favor da Alcídia, e a tese da usina venceu por 3 votos a 2. Um operador do banco informou Vorcaro sobre o resultado, que respondeu com um emoji de aprovação.
O relatório da PF indica ainda que Vorcaro direcionou ao menos R$ 35 milhões ao fundo Arleen. O fundo possuía participação no Tayayá Resort, empreendimento ligado à família de Toffoli, e a PF suspeita que o ministro seja o beneficiário final dos valores.
Em nota, o gabinete de Toffoli negou qualquer alteração de voto e afirmou que o ministro manteve sua posição no caso Raízen. O próprio ministro negou ter recebido valores do banqueiro. A PF informou que as mensagens têm especial relevância, mas que os dados ainda demandam aprofundamento analítico para conclusões definitivas.

