A Polícia Federal reconstruiu mensagens enviadas pelo empresário Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de rastros deixados no celular do investigado. As comunicações utilizavam o recurso de visualização única do WhatsApp, mas foram recuperadas via capturas de tela e arquivos temporários do iPhone.
Segundo relatório de 218 páginas, Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do aparelho, realizava a captura da tela e encaminhava a imagem ao ministro. Embora o WhatsApp apagasse o conteúdo após a visualização, as capturas permaneciam armazenadas no iPhone 17 Pro, permitindo que a PF identificasse um padrão de comunicação.
A perícia encontrou arquivos em PDF gerados automaticamente pelo sistema do aparelho em áreas não visíveis ao usuário comum. A Polícia Federal utilizou os softwares Cellebrite e Iped para cruzar os horários desses arquivos com os registros de uso do WhatsApp, onde o destinatário estava salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Ao todo, foram identificadas 52 notas. Cinco delas foram enviadas em 17 de novembro de 2025, véspera da prisão de Vorcaro, entre 7h19 e 20h48. Os textos mencionavam investidores, possível vazamento de informações e pedidos para saber sobre a possibilidade de bloquear medidas contra o empresário.
A PF não conseguiu recuperar as respostas de Moraes, pois a análise foi feita apenas no aparelho de Vorcaro. O relatório, entregue ao ministro André Mendonça em 27 de agosto de 2026, foi produzido em um prazo de 72 horas determinado judicialmente, o que indica que outros registros podem existir.
As evidências integram a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para apurar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília. Vorcaro foi preso ao tentar embarcar para Malta e Dubai. O ministro André Mendonça determinou que os elementos sejam analisados pelo Plenário do STF em sessão pública.


