A Polícia Federal (PF) recuperou cinco mensagens de visualização única enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 17 de novembro de 2025. O envio ocorreu um dia antes da prisão de Vorcaro e da apreensão de seu celular durante a Operação Compliance Zero.
As mensagens foram recuperadas por meio de programas especializados, conforme relatório cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça. A PF informou que Vorcaro utilizou o aplicativo Notas do iPhone para escrever os textos, realizou capturas de tela e enviou as imagens via WhatsApp, já que a plataforma não permite textos com visualização única.
A apuração identificou o conteúdo enviado ao comparar os horários de geração de arquivos temporários no aparelho. O relatório aponta que Vorcaro questionou o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” sobre a possibilidade de bloquear algum conteúdo. Além das mensagens temporárias, outras interações comuns no aplicativo foram analisadas.
Para a extração dos dados, a PF utilizou o software israelense Cellebrite, capaz de acessar arquivos em aparelhos bloqueados, e o Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED). O IPED é uma ferramenta criada em 2012 por peritos da própria corporação para realizar varreduras e extrair textos de imagens.
O presidente da Associação dos Peritos em Computação Forense, Marcos Monteiro, explicou que o programa transforma imagens em texto legível e permite buscas por padrões, como CPFs e valores monetários. A técnica facilita a localização de informações que teriam sido apagadas ou ocultadas pelo usuário.
Sobre a segurança do WhatsApp, a PF e peritos indicam que, embora haja criptografia de ponta a ponta no envio, as mensagens são descriptografadas ao chegar ao dispositivo. Isso permite que autoridades recuperem o conteúdo quando possuem a posse física do aparelho.


