Um relatório da Polícia Federal (PF) detalha dois contratos de prestação de serviços advocatícios entre o Banco Master, a Viking Participações e o escritório Barci de Moraes, do qual é sócia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os instrumentos previam o pagamento de R$ 158 milhões líquidos em honorários.
O primeiro contrato, firmado em 16 de janeiro de 2024, previa R$ 108 milhões líquidos, divididos em 36 parcelas de R$ 3 milhões. Considerando os tributos, o valor bruto total chegaria a cerca de R$ 131,3 milhões. Documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco, indicam que o próprio ministro Alexandre de Moraes editou a última versão deste acordo.
Em nota, o escritório Barci de Moraes confirmou a edição do texto. A banca afirmou que o setor de compliance do banco solicitou informações sobre possíveis impedimentos legais, mas que o contrato foi assinado porque o ministro jamais julgou causas envolvendo a instituição. O escritório listou 94 reuniões de trabalho e 36 pareceres jurídicos como parte dos serviços prestados.
O segundo contrato, assinado em 12 de maio de 2025 com a Viking Participações, estabelecia um limite de R$ 50 milhões líquidos por 36 meses. Segundo a PF, um acordo posterior definiu que R$ 40 milhões seriam quitados via transferência de ações de empresas donas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1. Os R$ 10 milhões restantes seriam pagos via reembolso de despesas.
A Polícia Federal apurou que Vorcaro buscou alternativas para repassar as cotas dos ativos sem que o escritório figurasse formalmente como sócio das empresas de aeronaves. Registros indicam que o escritório já utilizava as aeronaves em julho de 2025. No entanto, o escritório Barci de Moraes negou a existência de transferência de acordo, afirmando que a proposta de quitação não foi aceita e que o contrato original foi extinto com a liquidação do banco.
As informações fazem parte de um relatório de 218 páginas elaborado para o ministro André Mendonça, do STF, no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação, deflagrada em novembro de 2025, apura fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O sigilo dos documentos foi levantado pelo ministro Mendonça nesta terça-feira (1º).


