A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu um procedimento formal para averiguar a conduta da Polícia Federal (PF) na elaboração de um relatório solicitado pelo ministro André Mendonça. O documento cita uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso preventivamente desde março de 2026.
A ação foi determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e atendida pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. O relatório da PF, que teve o sigilo derrubado por Mendonça, apresenta registros e mensagens que sugerem encontros e vínculos entre Moraes e Vorcaro.
Em manifestação ao STF, Paulo Gonet afirmou que a PGR não foi comunicada previamente sobre a atividade policial, o que impediu o exercício do controle externo da atividade policial. O procurador declarou que a falta de participação institucional do Ministério Público retira a validade jurídica da forma como a investigação foi conduzida.
A PGR investiga agora se houve ordem ou interferência externa na redação do relatório que possa ter maculado seu conteúdo. O órgão argumentou que investigações desse tipo exigem etapas específicas que não foram observadas no processo.
Diante do impasse, Edson Fachin assumiu pessoalmente a relatoria do caso e retirou a análise do inquérito sobre fake news, aberto há oito anos, para instituir uma ação independente. O presidente da Corte afirmou que a instituição responderá de forma firme e pautada nas leis e no regimento do Judiciário.
Alexandre de Moraes manifestou-se ao tribunal apontando indícios sobre a condução das investigações em que é citado. Nesta sexta-feira (4), Fachin estabeleceu o prazo de cinco dias para que todos os envolvidos apresentem justificativas e documentos comprobatórios.


