O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre de 2026 em comparação aos três primeiros meses do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (1º). O resultado é impulsionado por safras recordes, embora o setor enfrente riscos climáticos e financeiros.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o crescimento do setor foi de 6,8%. A alta foi sustentada por produtos com safras relevantes no período, como a soja, com alta de 5,3% na comparação interanual, e o café, que cresceu 15,1%. Esses números compensaram as quedas no arroz (-11,3%), no algodão (-6,7%) e a estabilidade no milho (0%).
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estima que a produção de grãos atinja 352,5 milhões de toneladas, volume 3% superior ao recorde da safra 2024/2025. O destaque fica para a soja, com 180,5 milhões de toneladas, e o milho, com 143 milhões de toneladas.
Apesar dos recordes, o cenário financeiro no campo é de crise. O endividamento, juros altos e a queda nas cotações comprimiram as margens de lucro dos produtores. Esse quadro pode ser agravado pelo El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do Pacífico que ameaça a safra com início em meados de setembro.
Analistas do banco Rabobank alertam que o clima é o foco principal para o ciclo que vai até agosto de 2027. O relatório indica que a vulnerabilidade das lavouras aumenta devido ao atraso na importação de fertilizantes. Entre janeiro e julho de 2026, as importações de ureia ficaram 25% abaixo do volume do mesmo período do ano anterior.
A projeção do banco é que o total importado de ureia em 2026 termine 5% menor que em 2025, mesmo se houver volumes recordes de entrada entre agosto e dezembro. Segundo a instituição, a falta de nutrientes torna as plantações mais suscetíveis a danos causados por secas ou enchentes típicas do fenômeno climático.


