O Pix registrou mais de 2 bilhões de pagamentos em pontos de venda em 2025, um crescimento de 54% em um ano. O avanço impactou os meios de pagamento tradicionais, com recuo de 4% nas transações via cartão de débito e alta de 8% no crédito, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026.
A mudança de perfil do sistema é evidenciada por dados do Banco Central (BC). Em novembro de 2020, 85% das operações eram entre pessoas físicas. Em 2025, 43% das transações já ocorriam de pessoas físicas para empresas. Atualmente, a modalidade alcança mais de 170 milhões de usuários e movimentou R$ 19,8 trilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 28% comparada ao período anterior.
A concorrência é mais forte em compras de baixo valor. Fernanda Garibaldi, diretora executiva da Zetta, informou que 71% das transações ficam abaixo de R$ 100 e 76% dos pagamentos para empresas não chegam a R$ 60. Segundo Garibaldi, a tecnologia de aproximação tem potencial para acelerar a migração do débito para o Pix nas compras à vista.
No crédito, a fronteira entre as modalidades diminui com o Pix parcelado, no qual a instituição financeira concede o crédito e o vendedor recebe o valor integral. Para a diretora da Zetta, a decisão do consumidor passa a depender da taxa oferecida pelo banco, e não mais apenas do limite disponível no cartão.
Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, explicou que a liquidação imediata do Pix pesa mais para pequenos negócios e varejo de menor valor. No entanto, Inhasz ponderou que algumas empresas podem preferir fluxos de recebimento específicos para otimizar a gestão financeira.
Outra frente de expansão é o Pix automático para contas recorrentes, como escolas e condomínios. Em dezembro de 2025, a modalidade registrou quase 600 mil transações, movimentando R$ 133,2 milhões. O BC informou que a expansão é gradual por exigir a adaptação dos sistemas de quem recebe os pagamentos.
Uma pesquisa do Mercado Pago com 8,6 mil pessoas indicou que 48% veem o Pix automático como complemento ao cartão de crédito. Para 29% dos entrevistados, a vantagem principal é não comprometer o limite do cartão.


