Um levantamento do Instituto Update sobre 12 candidaturas à Presidência da República indica que as propostas dirigidas às mulheres se concentram em violência, saúde e cuidado. A pesquisa aponta que temas como participação política, presença em espaços de poder e autonomia no ambiente público tiveram menos espaço nos programas de governo.
Nove dos 12 planos analisados, ou 75%, trazem propostas explícitas sobre violência contra mulheres, feminicídio ou proteção às vítimas. As medidas incluem a ampliação de casas-abrigo, monitoramento eletrônico de agressores, medidas protetivas e o endurecimento de penas. Segundo o instituto, os programas reconhecem a mulher como vítima, mas ignoram a insegurança que restringe a circulação urbana.
Apenas um candidato relacionou a segurança feminina à mobilidade e ao transporte. O dado contrasta com a pesquisa Mulheres, Polícia e Facções (2026), do Instituto Update e Fogo Cruzado, que registrou que 79% das mulheres sentem medo ao sair à noite e 31,4% já deixaram de usar transporte por insegurança.
A participação política é a pauta com menor presença. Apenas um candidato apresentou proposta específica sobre representação eleitoral, combate à violência política de gênero e financiamento partidário. Um segundo candidato propôs incentivos à liderança feminina e compromisso de indicar mulheres para vagas no Supremo Tribunal Federal (STF).
Sobre a autonomia econômica, sete dos 12 planos, ou 58%, citam trabalho, renda e empreendedorismo. Em cinco desses programas, a igualdade salarial é mencionada. O levantamento observou que alguns candidatos associam a autonomia a direitos e proteção social, enquanto outros focam em crédito e educação financeira.
O cuidado também aparece em 58% dos planos, relacionando creches à vida econômica das mulheres. A análise do instituto indica que a responsabilidade pelo cuidado é dividida entre a visão de infraestrutura pública para ampliar a participação no mercado de trabalho e a visão associada à proteção da família.
Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, afirmou que os programas reconhecem problemas que afetam as mulheres, mas avançam pouco ao incorporá-las como sujeitos de decisão. Ela explicou que há distância entre a capacidade das mulheres de formular soluções de segurança e o espaço que isso ocupa nos planos.


