A investigação sobre o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, depende de aval do Plenário da Corte. O relator do caso, ministro André Mendonça, concedeu cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre relatório da Polícia Federal (PF).
O documento da PF detalha mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, identificadas durante a Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no Banco Master. A apuração indica que o ex-banqueiro teve conhecimento da investigação que resultou em sua prisão em novembro do ano passado com antecedência significativa.
Segundo Mendonça, o Plenário é a instância soberana para analisar os novos elementos de modo técnico e jurídico. O regimento interno do STF estabelece que compete ao colegiado, formado pelos 11 ministros, processar e julgar autoridades, incluindo os próprios integrantes da Corte. Após a manifestação da PGR, o presidente do Tribunal, Edson Fachin, agendará a data do julgamento.
A Polícia Federal chegou ao nome de Moraes ao cruzar prints de blocos de notas e capturas de tela no celular de Vorcaro. O ex-banqueiro utilizava imagens de visualização única no WhatsApp. Os investigadores localizaram um terminal salvo no aparelho como ‘Alexandre de Moraes BRASÍLIA’ e analisaram interações associadas ao ministro.
O relatório entregue a Mendonça na última quinta-feira também implica a esposa do magistrado, a advogada Viviane Barci. A PF foi determinada a apresentar, em 24 horas, informações atualizadas sobre a rede de influência e monitoramento gerenciada por Vorcaro, incluindo a identificação de todas as pessoas com foro por prerrogativa de função mencionadas nas mensagens.

