A Polícia Militar (PM) utilizou capturas de tela de conversas entre sargentos e depoimentos para justificar o encontro de duas viaturas próximo ao carro do motorista de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo. A investigação concluiu que não houve perseguição ao veículo, mas que as equipes se reuniram para atender a uma ocorrência.
Segundo o processo, as equipes M-12070 e M-12090 se encontraram na rua Joinville, no bairro de Indianápolis, para averiguar a possibilidade de roubo ou furto em um condomínio na região do Hotel Pullman. O sargento Elder, da primeira viatura, teria combinado a parada no local para aguardar reforço da equipe de Força Tática comandada pelo sargento Jesus, que chegou às 22h35.
Mensagens de WhatsApp enviadas às 22h16 e 22h25 mostram o uso de códigos de radiocomunicação, como “QTI” para indicar deslocamento e “QSO” para comunicação direta. O documento indica que a viatura de Elder estacionou próximo ao carro do motorista de Haddad às 22h25, enquanto o veículo do candidato já havia deixado o local por volta das 22h26.
Sobre o uso de lanternas, a PM informou que a iluminação ocorreu em um Hyundai HB20 branco, e não no Ford Fusion de Haddad. Um soldado relatou que a equipe suspeitou de alguém dentro do automóvel e verificou os bancos de cor caramelo, constatando que o veículo estava vazio. Câmeras registraram a viatura passando ao lado do carro de Haddad, mas os policiais negaram abordagem ou iluminação naquele momento.
A corporação admitiu que outra viatura direcionou o farol de mão para o Ford Fusion por dois segundos às 21h45, minutos antes de o carro estacionar na residência do candidato. A PM trata os dois episódios como fatos distintos, separados por um intervalo de 40 minutos, e afirma que não houve consulta de placa ou ordem de parada.
Na segunda-feira (31), o Ministério Público Eleitoral (MPE) arquivou o procedimento que apurava abordagem irregular, por não encontrar elementos de ilícito eleitoral atribuíveis ao governador Tarcísio de Freitas. Contudo, o procurador eleitoral classificou como “inverossímil” a tese de mera coincidência no patrulhamento, citando que duas equipes de batalhões distintos tiveram contatos sucessivos com o mesmo veículo em área restrita.


