O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá dificuldade para reverter a vantagem da direita na região Sul nas eleições de 2026. A avaliação é do cientista político Fernando Schüler, professor do Insper, que aponta a atual polarização brasileira e as características culturais e socioeconômicas locais como barreiras ao avanço do lulismo nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Segundo Schüler, a região apresenta maior renda média e menor dependência de programas de transferência de renda. O professor comparou a proporção de beneficiários do Bolsa Família, que chega a 40% em estados do Nordeste, enquanto no Sul o índice gira entre 3,5% e 4%.
A diferença educacional também é um fator determinante. O Sul possui entre 21% e 22% de eleitores com ensino superior, número superior à média nacional de 11%. Esse perfil, somado a uma população mais velha e com menos jovens, torna o eleitorado mais sensível a retóricas de autonomia individual, mérito, empreendedorismo e economia de mercado.
Apesar da predominância da direita, o cenário varia entre os estados. Santa Catarina e Paraná possuem vantagem mais consolidada para a direita, enquanto o Rio Grande do Sul apresenta uma disputa mais equilibrada. O equilíbrio gaúcho é atribuído às trajetórias políticas locais, como a tradição trabalhista e os governos anteriores do PT com Olívio Dutra e Tarso Genro.
Sobre a disputa presidencial, o especialista afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) repete o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. De acordo com a apuração de pesquisas, o senador lidera as intenções de voto no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Para avançar na região, candidatos precisariam dialogar com temas de modernização econômica, cooperativismo e associativismo. Schüler informou que qualquer mudança no cenário dependeria do surgimento de novas lideranças e da renovação da esquerda.


