A Polícia Federal localizou, em operação de busca e apreensão realizada nesta quinta-feira (10), um documento assinado por Karina Gama, proprietária da produtora Go Up. No texto, a empresária relata ter sofrido pressões de três pessoas, desde maio, para firmar um acordo de delação premiada no contexto de investigações em curso.
A declaração circunstanciada de fatos possui quatro páginas, data de 4 de setembro e teve a firma reconhecida em cartório. No relato, a dona da produtora do filme “Dark Horse” afirma que não pretende realizar a colaboração, alegando que não cometeu irregularidades nem possui informações a serem reveladas às autoridades.
Entre os citados está o jornalista Breno Pires, que publicou reportagem no início do mês sobre um repasse de US$ 1,6 milhão feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro para um fundo que financiou a produtora. Karina afirma que Pires a contatou em 3 de setembro e teria sugerido que ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”, dando a entender que a falta de colaboração resultaria em medidas judiciais.
O documento não apresenta provas do relato nem identifica a qual candidato a expressão se referiria. Além do jornalista, a empresária menciona outras duas pessoas que teriam tentado pressioná-la. Uma delas seria o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, que teria afirmado ter proximidade com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fernando Sarney negou as afirmações apresentadas por Karina. A terceira pessoa mencionada seria um pastor, cuja identidade não foi informada no documento. O material foi apreendido pela Polícia Federal em um endereço ligado à empresária durante as diligências desta quinta-feira.


