A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou 13 pessoas pela morte de um ciclista de 37 anos, ocorrida entre a madrugada de 11 e 12 de agosto, em Copacabana. A vítima foi confundida com um ladrão de bicicleta e espancada por seguranças clandestinos, entregadores de aplicativo e empresários locais.
O inquérito foi concluído nesta segunda-feira (7) pelo delegado Angelo José Lages Machado, titular da 12ª Delegacia de Polícia (DP). Cinco dos envolvidos responderão por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Quatro deles estão presos e um permanece foragido.
Imagens de câmeras de segurança mostram que o homem foi cercado e agredido por nove minutos com socos, chutes e dezenas de golpes de um objeto de madeira. A vítima, que possuía problemas psiquiátricos, agonizou no chão por mais de 30 minutos antes do socorro. O laudo indicou traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos.
A investigação revelou que a bicicleta que a vítima utilizava pertencia à própria irmã e não houve qualquer evidência de furto. Segundo o delegado, os agressores optaram por julgar e submeter o homem a sucessivas agressões em vez de acionarem a autoridade pública.
O documento aponta a existência de um sistema de financiamento privado para segurança informal na região. Quatro comerciantes foram indiciados por pagar esses serviços de maneira informal, predominantemente em espécie e sem recibos. Outras quatro pessoas responderão por exercício irregular da atividade de segurança.
Além dos crimes principais, uma mulher foi indiciada por lesão corporal ao entregar o bastão de madeira usado nas agressões. Um homem também foi indiciado por omissão de socorro, pois presenciou o crime e não acionou a polícia ou o corpo de bombeiros.


