A Polícia Civil do Espírito Santo investiga se o atacante David Corrêa, do Vasco, financiava o tráfico de drogas na cidade de Serra. A suspeita surgiu após a apreensão de mensagens trocadas entre o atleta e seu ex-agente, Édson Vander da Silva Júnior, apontado como chefe do crime na região metropolitana de Vitória.
Nos diálogos datados de março de 2024, David foi informado sobre uma tentativa de homicídio contra um homem sequestrado e baleado durante disputa por domínio do tráfico. O jogador respondeu que a vítima “mereceu tomar uns tiros mesmo”. Em outra conversa, o atleta teria escrito “tem que matar um para ver de qual é” após receber a foto de uma pistola.
A investigação, denominada Operação A Tropa, também identificou um áudio de Ruan de Freitas Camargo Cruz, de 27 anos, suspeito de ser o atirador do crime. No registro, Ruan pede a Édson que David ajude financeiramente na troca do veículo utilizado no atentado, um Fiat Argo, que estaria comprometido. O delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, afirmou que as mensagens indicam possível financiamento do crime no bairro Serra Dourada 3.
Na segunda-feira (31), agentes da Polícia Civil do Espírito Santo e do Rio de Janeiro apreenderam dois celulares na casa de David, em um condomínio na Barra da Tijuca. Outro mandado de busca e apreensão foi cumprido no centro de treinamento do Vasco, em Jacarepúgá. Em depoimento, o atacante admitiu conhecer pessoas ligadas à investigação no Espírito Santo, mas negou participação em tráfico de armas ou drogas.
O empresário André Cury, atual gestor da carreira do atleta, negou qualquer envolvimento de David com o crime organizado, atribuindo a proximidade com os investigados à origem humilde do jogador. O Vasco informou que colabora com as autoridades. Segundo o diretor de futebol do clube, Admar Lopes, o jogador segue trabalhando normalmente e está disponível para jogos.
A Operação A Tropa apura crimes de lavagem de dinheiro e tráfico interestadual de drogas e armas. A polícia investiga se outros atletas profissionais e empresários também possuem vínculos com o grupo criminoso.


