Quinze pessoas foram presas no Ceará sob suspeita de integrar facções criminosas para interferir na campanha eleitoral de 2026. As investigações apuram ameaças contra candidatos, restrições a atividades políticas e a cobrança de valores para autorizar a entrada de campanhas em territórios controlados por grupos criminosos.
A prisão mais recente ocorreu em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Uma mulher de 25 anos foi detida em flagrante por suspeita de colaborar com ameaças em Capistrano, no Maciço de Baturité. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), a investigada coletava informações sobre as vítimas e as enviava a integrantes do grupo escondidos no Rio de Janeiro.
Em Forquilha, apurações indicam que o Comando Vermelho teria cobrado até R$ 300 mil de políticos para permitir atividades eleitorais. Dois homens foram presos em 20 de agosto por extorsão e ameaça. Posteriormente, a Polícia Civil deflagrou a Operação Arquipélago 2, que resultou na prisão de oito pessoas ligadas a uma célula da facção na região, incluindo um alvo localizado em um hospital no Rio de Janeiro.
Outro inquérito, a Operação Omertà, investiga alianças entre políticos e criminosos em Sobral, com foco nas eleições de 2024 e 2026. Três vereadores foram presos. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará e o Ministério Público Eleitoral apuram se candidatos pagaram cerca de R$ 60 mil para atuar em bairros controlados por facções. A Justiça Eleitoral expediu 14 mandados de prisão preventiva e cinco ordens de afastamento de funções públicas.
Em Fortaleza, a Polícia Federal e o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) apuram um episódio ocorrido em 22 de agosto, quando homens armados impediram a distribuição de material de campanha do deputado federal Danilo Forte (PP-CE) no bairro Cidade 2000. Diante do cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o envio de forças federais para 67 municípios cearenses no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
O planejamento de segurança considera o precedente de Santa Quitéria, onde o prefeito José Braga Barrozo e o vice Francisco Gardel tiveram mandatos cassados em março de 2026. O TSE considerou que a chapa utilizou a estrutura do Comando Vermelho para intimidar eleitores e adversários no pleito de 2024.


