Um policial identificado pelo sobrenome Bu foi preso na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, após admitir que encerrou casos de pessoas desaparecidas sem realizar investigações para evitar trabalho adicional. A Polícia Provincial de Jeju informou que o agente falsificou registros e forneceu informações mentirosas a familiares de vítimas.
Bu é acusado de obstrução do trabalho oficial, negligência no cumprimento do dever e falsificação de registros eletrônicos públicos. A corporação estima que outros 25 casos tenham sido encerrados prematuramente pelo agente, embora algumas dessas pessoas tenham sido encontradas vivas e em segurança.
Em um dos casos, uma mulher de 37 anos desapareceu em maio. O policial informou ao namorado da vítima que ela não queria ser contatada, mas a investigação posterior revelou que a conversa nunca ocorreu. Bu chegou a registrar que a mulher morreu em um acidente de trânsito antes de fechar o caso. O corpo foi localizado na semana passada em uma plantação de palmeiras.
Outro caso envolveu um homem na casa dos 60 anos, desaparecido em julho. O agente também afirmou falsamente ter falado com a vítima, que foi encontrada morta no início deste mês. O escândalo surgiu durante buscas tardias na ilha, que resultaram na localização de quatro corpos nas últimas semanas.
O presidente Lee Jae Myung prometeu reformular a instituição após a repercussão do caso. O episódio ocorre enquanto o governo prepara a transferência integral do poder de investigação dos promotores para a polícia, medida que visa reduzir a influência política dos promotores, mas que enfrenta resistência popular devido a históricos de corrupção na corporação.
Lee afirmou que a conduta de alguns agentes não deve prejudicar a imagem de toda a corporação, descrevendo os envolvidos como figuras que “enlameiam a água do poço”. Na Coreia do Sul, mais de 70 mil adultos são registrados como desaparecidos anualmente, com 99% dos casos solucionados em até 30 dias.


