A Prefeitura de Goiânia negou ter reduzido recursos para o pagamento de profissionais credenciados da rede pública de saúde, afirmando que a mudança implementada em setembro integra uma estratégia de otimização do financiamento. A gestão municipal rebateu denúncias do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) sobre a queda de repasses do Tesouro.
Em nota técnica conjunta das secretarias de Saúde (SMS) e da Fazenda (Sefaz), a administração informou que utilizará emendas parlamentares federais, estaduais e municipais para custear os profissionais. A prefeitura declarou que a medida adequa a aplicação dos recursos às finalidades e prazos de execução de cada fonte, garantindo que não houve diminuição nos atendimentos.
O SIMEGO, porém, alertou para uma redução de aproximadamente R$ 6 milhões mensais vindos do Tesouro Municipal. Documentos da Sefaz fixaram em R$ 4 milhões, a partir de setembro, o repasse da Fonte 102. Entre maio e julho de 2026, a média de participação do Tesouro era de R$ 10,17 milhões, segundo dados da própria SMS.
Estimativas da Secretaria Municipal de Saúde indicam que o impacto pode atingir 2 mil plantões médicos de 24 horas por mês. Com a média de 80 atendimentos por plantão, a projeção é de até 160 mil atendimentos mensais potencialmente afetados. O sindicato ressalta que os números são estimativas e não significam cancelamentos efetivos.
O presidente do SIMEGO, Eduardo Santana, afirmou que a rede enfrenta insuficiência de profissionais enquanto a demanda cresce. Ele citou que a cidade tinha 14 serviços de pronto-atendimento em Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais) e agora conta com apenas sete. Santana disse que a sobrecarga compromete a saúde mental dos médicos e a assistência aos pacientes.
A discussão ocorre após inspeção do Ministério Público de Goiás (MPGO) em 31 de agosto, que apontou falta de insumos, medicamentos e pacientes em corredores por mais de 24 horas em 11 unidades. Um relatório do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) também menciona um déficit de 583 trabalhadores na saúde municipal.
Registros indicam que a SMS manifestou preocupação com a redução do limite financeiro imposto pela Fazenda, alegando falta de estudo técnico ou justificativa formal. A secretaria solicitou 60 dias para adaptação gradual, mas a Sefaz manteve os novos valores. Em 4 de setembro, a SMS determinou a revisão emergencial do quadro de profissionais credenciados.


