O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (1º) que Teerã está preparada para reciprocidade caso os Estados Unidos aceitem retornar às condições de cessar-fogo negociadas em junho. A fala ocorreu durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, realizada em Bishkek, no Quirguistão.
Pezeshkian afirmou à imprensa que a República Islâmica do Irã responderá imediatamente se Washington retomar os compromissos previstos em um memorando de entendimento (MoU). O documento previa o fim imediato de operações militares e um prazo de 60 dias para a negociação de um acordo final, incluindo o fim do bloqueio naval americano e a desminagem do Estreito de Hormuz por parte do Irã.
O pacto colapsou após acusações mútuas de violação, levando à retomada dos combates em junho e ao fechamento do Estreito de Hormuz para o tráfego marítimo. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reforçou na segunda-feira que a situação só será resolvida se os Estados Unidos aderirem aos termos do memorando.
A abertura diplomática contrasta com a postura do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump disse, no dia 27 de agosto, que não deseja conversar ou se reunir com o Irã, descrevendo o país como uma nação fracassada. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira que a estratégia atual é asfixiar economicamente o regime para forçar concessões.
No campo militar, a tensão escalou com ataques americanos à Ilha Larak no domingo, que causaram mortes de civis e militares. Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizou a operação Punição do Agressor, atingindo infraestruturas técnicas e bases de caças dos Estados Unidos na Jordânia.
Internamente, Pezeshkian enfrenta pressão do IRGC, que defende a continuidade do confronto. O general Ahmad Vahidi, nomeado em 10 de agosto pelo Líder Supremo Mojtaba Khamenei, recebeu instruções para fortalecer operações ofensivas. Khamenei não aparece publicamente desde o início da guerra, em fevereiro.
O Catar, que já atuou como mediador, manifestou apoio à retomada das conversas. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do país, Majid Al-Ansari, afirmou que a escalada não beneficia ninguém e pediu que as partes retornem à trilha de negociações.


