Rebeldes houthis, alinhados ao Irã, capturaram a cidade portuária de Mokha, no Iêmen, nesta quinta-feira (10), após expulsarem forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita. A ofensiva representa o maior ganho territorial do grupo desde o cessar-fogo de 2022 e amplia a capacidade de interceptação de navios no estreito de Bab el-Mandeb.
As forças rebeldes avançaram pela costa do Mar Vermelho até atingir Mokha e o arquipélago de Hanish, segundo fontes governamentais do Iêmen. Em resposta, tropas governamentais recuaram em direção a Dhubab. O governo iemenita lançou ataques aéreos a oeste de Taiz e alertou civis para evitarem as estradas que ligam Taiz a Mokha.
A televisão Al-Masirah, controlada pelos houthis, informou que forças apoiadas pela Arábia Saudita realizaram 40 ataques aéreos nas províncias de Taiz, Jawf, Hodeida e Marib. Hans Grundberg, enviado especial da ONU para o Iêmen, afirmou em reunião de emergência do Conselho de Segurança que a retomada dos conflitos marca o fim da calma experimentada pelo país nos últimos quatro anos.
O controle de Mokha, situada a 80 quilômetros ao norte de Bab el-Mandeb, fortalece a posição dos rebeldes para interromper o transporte marítimo. O grupo declarou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no dia 20 de julho. O tráfego de embarcações pelo estreito caiu cerca de 24% na semana seguinte ao bloqueio, e as exportações de petróleo sauditas atingiram o nível mais baixo em 13 anos, com queda de 23% na produção entre julho e agosto.
Relatórios indicam que os houthis receberam armas e orientação direta do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que teria instruído o grupo, na semana passada, a intensificar ataques contra a Arábia Saudita. O Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que os houthis sejam um grupo subordinado e defendeu a resolução do conflito por meio do diálogo.
Mohammed Abdulsalam, porta-voz dos houthis, afirmou em redes sociais que o grupo interromperá os ataques a navios sauditas quando a “agressão” contra o Iêmen terminar. Um órgão do grupo responsável pela comunicação com empresas de navegação declarou que a navegação em Bab el-Mandeb segue segura, exceto para embarcações da Arábia Saudita.
O avanço ocorre após o presidente Donald Trump sugerir, na última quarta-feira (10), que o governo iraniano estaria prolongando a guerra para influenciar as eleições intermediárias nos Estados Unidos em novembro. Trump afirmou que o Irã está à beira do colapso e que o conflito terminará logo após a votação.

