O Reino Unido reafirmou nesta sexta-feira (4) que as Ilhas Malvinas são território britânico, em resposta a declarações do presidente argentino, Javier Milei. O mandatário afirmou que há condições favoráveis à reivindicação de Buenos Aires após o presidente americano, Donald Trump, indicar que pode revisar a neutralidade dos Estados Unidos na disputa.
O chefe da diplomacia britânica, Ed Miliband, declarou que a posição de Londres é inabalável e baseada na vontade dos habitantes locais. O ministro da Defesa, Wes Streeting, reforçou que as ilhas são britânicas porque a população escolhe essa nacionalidade.
Em pronunciamento em cadeia nacional, Milei caracterizou a fala de Trump como uma advertência ao governo britânico. O presidente argentino argumentou que os habitantes do arquipélago não possuem direito à autodeterminação por serem uma população implantada em território usurpado.
A tensão foi agravada pelo projeto petrolífero Sea Lion, conduzido pelas empresas Rockhopper, do Reino Unido, e Navitas, de Israel, a 220 quilômetros ao norte das ilhas. Milei anunciou que endurecerá sanções contra empresas em operações não autorizadas e criará uma base naval na província de Tierra del Fuego.
Na Bolsa de Londres, as ações da Rockhopper recuaram 7% durante o dia, embora tenham reduzido as perdas posteriormente. A disputa é reconhecida por uma resolução da ONU de 1965, que orienta a solução por via diplomática, apelo que Milei afirmou ter sido sistematicamente ignorado por Londres.
Trump questionou a falta de apoio militar britânico em sua guerra contra o Irã e não confirmou se apoiaria o Reino Unido em um eventual novo conflito com a Argentina. O cientista político Tomás Mugica, da Universidade Católica Argentina, avalia que o tema serve para pressionar Londres quanto ao financiamento da Otan.
Argentina e Reino Unido travaram guerra pelo território no ano de 1982. O conflito durou dez semanas e terminou com a rendição argentina, deixando 649 mortos do lado de Buenos Aires e 255 do lado britânico.


