Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, executivo do Banco Master, revelam a relação do banqueiro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, segundo relatório encaminhado ao ministro André Mendonça.
O documento, que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (2), detalha diálogos em que Vorcaro busca orientações de Moraes durante investigações sobre fraude ao sistema financeiro. Em 14 de novembro de 2025, três dias antes de ser detido, o banqueiro escreveu ao ministro que tinha “gratidão da vida” e que sua família e parceiros tinham uma “dívida de vida” com ele e seus familiares.
Em conversas de 5 de novembro de 2025, Vorcaro afirmou que não faria movimentos sem o aval do ministro e questionou se ele teria conseguido “bloquear a maldade e sacanagem”. Na época, o executivo já sabia do avanço de apurações do Banco Central e da PF sobre fraudes no Master. A tentativa de mobilizar autoridades não impediu a prisão do banqueiro em 17 de novembro de 2025, na Operação Compliance Zero.
O relatório também cita diálogos de março de 2025 envolvendo Paulo Gonet. Mensagens reencaminhadas pelo advogado Ciro Soares indicam que o procurador-geral teria dito “estar com saudade” de Vorcaro. Gonet teria manifestado interesse em fumar charutos e beber uísque Macallan em um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres, evento que acabou cancelado.
No dia 16 de novembro de 2025, Vorcaro questionou Moraes sobre a situação do banco e perguntou se, com a atuação de Andrei Rodrigues, “dá pra segurar”. Na véspera de sua prisão, o banqueiro pediu que o ministro tentasse “sensibilizar” o diretor-geral da PF para atrasar a operação por uma semana, alegando que isso evitaria a quebra do banco.
A apuração indica que Vorcaro tentava ganhar tempo para vender os ativos do Master a um consórcio composto pela Fictor Holding Financeira e fundos dos Emirados Árabes, negócio que não prosperou. Procurados, o ministro do STF, o PGR e o diretor-geral da PF não se manifestaram.


