Um relatório da Polícia Federal, com sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, detalhou a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As mensagens revelam pedidos de intercessão em investigações e a expressão de gratidão de Vorcaro ao magistrado.
Nas mensagens, Vorcaro questiona se o ministro teria conseguido “bloquear a maldade e sacanagem” e afirma que sua família e parceiros possuem uma “dívida de vida” com Moraes e seus familiares. O ex-banqueiro foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, que apura fraudes e irregularidades em operações do Banco Master.
A apuração indica a existência de dois contratos entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um deles previa o pagamento de R$ 131 milhões, enquanto outro, firmado via Vikings Participações, envolvia a cessão de aeronaves. O escritório de Barci informou que a contratação foi legal, pois Moraes jamais julgou causas do Banco Master.
O documento da PF cita encontros pessoais entre os dois, incluindo jantares em Brasília no fim de 2024 e almoço em Campos do Jordão. Metadados de uma minuta de contrato enviada por Viviane Barci apontam que a última modificação no texto foi feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Moraes nega envolvimento com Vorcaro e atribui as acusações a tentativas de desacreditar o STF. Sobre contatos telefônicos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro afirmou que as conversas tratavam da Lei Magnitsky e não do caso Master.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, declarou que o ministro André Mendonça não poderia ter tomado a iniciativa de determinar a identificação dos destinatários das mensagens, alegando que a investigação sobre outro ministro caberia ao Ministério Público e a decisão ao plenário.


