O comércio ilegal de produtos falsificados e o trabalho forçado são fenômenos estreitamente interligados, segundo relatório conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Escritório de Propriedade Intelectual da União Europeia (Euipo). O documento aponta que a falsificação é mais intensa em países com menor proteção trabalhista.
A economista da OCDE e coautora do estudo, Morgane Gaudiau, afirmou que existe uma correlação estatística entre a exploração da mão de obra e economias com maior prevalência de trabalho infantil, inclusive perigoso, e informalidade. O relatório indica que nessas regiões há maior incidência de acidentes fatais, jornadas extensas e baixa representação sindical.
A fragilidade dos direitos trabalhistas e a fiscalização insuficiente reduzem o custo da produção ilegal e facilitam a substituição de funcionários. O modelo econômico do crime utiliza a vulnerabilidade do trabalhador para maximizar lucros ilícitos. Mesmo em países desenvolvidos, grupos criminosos exploram migrantes em situação irregular para mantê-los fora do mercado formal.
Na Bélgica, a alfândega desmantelou em agosto uma fábrica clandestina de cigarros em Monceau-sur-Sambre, no oeste do país. A operação resultou na apreensão de máquinas, um milhão de cigarros e 19 toneladas de tabaco. No local, os investigadores encontraram um alojamento precário com 42 camas e documentos que indicavam que os trabalhadores eram de origem vietnamita.
Esta foi a 11ª fábrica ilegal de cigarros fechada no território belga apenas em 2026. O relatório cita ainda casos no Leste Europeu, onde migrantes sem documentação eram mantidos sob vigilância constante, e situações no sul da Europa, onde clandestinos eram coagidos por gangues a vender produtos falsos em vias públicas.
Para prevenir a prática, a OCDE recomenda maior coordenação entre inspetores do trabalho, autoridades alfandegárias e órgãos policiais. A organização sugere que as empresas reforcem a transparência das cadeias de fornecedores e a diligência, especialmente em regiões consideradas de alto risco.


