Três pessoas que participaram da primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985, relataram as condições de acampamento e as dificuldades financeiras enfrentadas para assistir aos shows. Entre dormidas na rodoviária e banhos de mar, as memórias destacam a solidariedade entre o público e a ausência de tecnologia móvel.
Maria Izabel Guardarine viajou de São Paulo para o Rio de Janeiro sozinha para o último fim de semana do festival. Ao chegar de madrugada, passou a primeira noite dormindo na rodoviária, onde encontrou outras pessoas em situação semelhante. Ela integrou um grupo em um acampamento improvisado nos arredores da Cidade do Rock, composto por barracas e um banheiro químico.
Luzia Martins e Claudio Vinicio Alves, que moravam em Santos, optaram por acampar em uma praia próxima a Jacarepaguá. Enquanto Luzia faltou um dia ao trabalho, Claudio passou dez dias no evento e foi demitido ao retornar. Ele relatou ter levado apenas roupas, bolachas e 100 reais para emergências.
A dinâmica de convivência era marcada pela facilidade em fazer amizades, já que a ausência de celulares obrigava a interação direta para encontrar pessoas ou formar grupos. Os grupos se dividiam, principalmente, conforme a preferência musical, separando fãs de estilos românticos daqueles que preferiam sons mais agressivos.
A segurança era percebida de forma diferente na época. Guardarine afirmou que a falta de preocupação com violência e assaltos permitia que as pessoas deixassem pertences dentro das barracas durante as chuvas. A prioridade era a oportunidade de ver bandas como AC/DC, Scorpions e Rod Stewart de perto.
A comparação com eventos atuais revela a mudança no comportamento do público. Guardarine observou que, em shows recentes, a plateia prioriza o registro em celulares em vez de dançar ou pular. Os três entrevistados afirmaram que, apesar da lama e da falta de banhos, viveriam a experiência novamente.


