Os rendimentos dos títulos soberanos globais atingiram níveis máximos em várias décadas nesta quarta-feira (2), impulsionados pela alta nos preços da energia decorrente do conflito no Oriente Médio e por preocupações com a inflação e o aumento da dívida pública em economias centrais.
O rendimento do Treasury de 10 anos, referência para o custo de financiamento mundial, atingiu o patamar mais alto em três anos e se aproxima de 5%. O movimento impacta diretamente o custo do dinheiro, resultando em taxas de hipotecas mais elevadas para consumidores e maiores dificuldades no financiamento de gastos públicos.
No Japão, os títulos de 10 anos ficaram acima de 3% pela primeira vez em 30 anos. Na Europa, os títulos alemães de 10 anos (Bund) registram o nível mais alto desde 2011, enquanto os títulos britânicos atingiram o patamar mais elevado desde 2008, reflexo da subida nos preços do gás.
Michael Metcalfe, chefe de estratégia macroeconômica da State Street, afirmou que a alta nos preços da energia leva operadores a apostarem em juros maiores, elevando os rendimentos de curto prazo. Segundo Metcalfe, o cenário é agravado por incertezas sobre as trajetórias fiscais e orçamentos na França e no Reino Unido.
A pressão sobre os títulos soberanos também vem do setor corporativo. Empresas de tecnologia dos Estados Unidos têm emitido títulos agressivamente para financiar a expansão da inteligência artificial, competindo com governos pelo capital de investidores.
Naka Matsuzawa, estrategista-chefe de macroeconomia da Nomura Securities, explicou que a disposição de grandes empresas de tecnologia em pagar taxas altas eleva os rendimentos de forma generalizada. Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo, informou que os rendimentos podem seguir subindo conforme investidores exijam prêmios mais altos.


