A primeira Pesquisa de Demanda Turística de Goiânia, realizada pelo Observatório de Turismo em julho de 2026, aponta que 16,25% dos turistas gastam mais de R$ 1 mil por dia na cidade. O dado reflete a expansão de restaurantes de alto padrão que oferecem experiências gastronômicas com custos individuais de até R$ 635.
O levantamento ouviu 354 visitantes no Aeroporto de Goiânia, Terminal Rodoviário e Zoológico, dos quais 240 foram classificados como turistas. Outros 19,58% dos entrevistados declararam gastos diários entre R$ 301 e R$ 1 mil, abrangendo alimentação, transporte, hospedagem, compras e lazer. Em contrapartida, 53,33% dos turistas gastam até R$ 300 por dia.
A gastronomia é um dos pilares da visita à capital, citada por 34,87% dos turistas como atrativo local. O setor obteve a maior nota de satisfação entre todos os itens analisados, com média de 4,7 em uma escala de 1 a 5. Cerca de 97% das avaliações de bares e restaurantes ficaram nas notas 4 ou 5.
No Íz Restaurante, o chef Ian Baiocchi oferece menus que variam de R$ 245, com seis etapas, a R$ 465, em modalidade de degustação com oito etapas. O valor pode chegar a R$ 635 por pessoa. Baiocchi afirma que o preço remunera não apenas os produtos, como picanha Black Angus e frutos do mar, mas também o serviço exclusivo e o ambiente.
No El Argentino, especializado em parrilla, a sócia-proprietária Ruth Capistano informa que vinhos mais consumidos custam entre R$ 200 e R$ 400, embora a carta possua garrafas de R$ 1,8 mil. Um casal gasta, em média, entre R$ 300 e R$ 400 apenas com a comida no jantar. Capistano diz que a exigência dos clientes levou a casa a trabalhar com apenas três fornecedores fixos de carne.
O crescimento do mercado de alto padrão é visto por Baiocchi como uma mudança na percepção de luxo, que passaria a ser um hábito de consumo não material. Já o cozinheiro Humberto Marra, com 35 anos de atuação na cidade, contesta a ideia de amadurecimento gastronômico associado a preços altos, classificando a narrativa como propaganda para vendas.


