O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 0,5%, resultado ligeiramente superior aos 0,4% esperados pelo mercado. Apesar do número, a retração no consumo das famílias e a dependência do agronegócio alertam para a fragilidade da atividade econômica, segundo a coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre, Juliana Trece.
A economista afirmou que o Brasil enfrenta uma desaceleração evidente e corre o risco de permanecer em um ciclo de juros elevados caso não haja reequilíbrio nas contas públicas. Trece explicou que a queda no consumo das famílias surpreendeu, já que o mercado de trabalho aquecido e programas como o Desenrola 2.0 deveriam ter sustentado a demanda.
O setor de serviços também sentiu o impacto, com crescimento limitado a áreas menos sensíveis aos juros, como tecnologia da informação e comunicação. Atividades ligadas ao orçamento doméstico, como bares, restaurantes e comércio, registraram variação de 0%.
A agropecuária e a indústria extrativa foram os principais motores do crescimento no período. No entanto, Trece alertou que essa base é vulnerável a fatores climáticos, como o El Niño, e a dinâmicas internacionais, o que representa um risco para o segundo semestre e o próximo ano.
Segundo a análise, estímulos fiscais constantes mantiveram o consumo temporário, mas deterioraram as contas públicas e geraram pressão inflacionária. Esse modelo obriga o Banco Central a manter juros altos para conter preços, o que acaba sufocando a atividade econômica e afastando investidores privados.
A coordenadora ponderou que, por ser um ano eleitoral, grandes consolidações fiscais são improváveis no momento. Contudo, a agenda de ajuste deve ser prioritária no primeiro ano do próximo governo, independentemente de quem seja eleito, para restaurar a confiança de agentes econômicos e atrair investimentos produtivos.
A projeção do FGV Ibre é de que a economia encontre estabilidade, com crescimento próximo a 0% nos próximos trimestres, descartando, por enquanto, um cenário de recessão.


