O Serviço Postal dos Estados Unidos mantém a implementação de um sistema digital para supervisionar a votação por correio, mesmo após ordem judicial de suspensão. Um relatório publicado nesta terça-feira (1º) por um funcionário da agência alerta que o processo apressado pode causar uma “falha catastrófica” e impedir que milhões de eleitores recebam suas cédulas.
O documento foi divulgado pelo gabinete do senador Richard Blumenthal. Segundo o texto, elaborado com apoio da organização Whistleblower Aid, a medida segue a ordem do presidente Donald Trump para ampliar o controle federal sobre o sistema. O plano previa a conclusão do novo sistema digital até 1º de setembro.
O funcionário denunciou que a condução do processo ocorre de forma sigilosa e que o desenvolvimento “feito de qualquer jeito” aumenta a probabilidade de erros. O relatório detalha que a verificação do sistema pode rejeitar dezenas de milhares de cédulas em lotes de envio em massa caso um único código de barras não seja lido corretamente.
Em entrevista por telefone na segunda-feira, Blumenthal afirmou que o Serviço Postal desenvolveu o sistema para privar milhões de americanos do direito de votar. O senador informou que um terço da população dos Estados Unidos utiliza a votação por correio, grupo que estaria em risco com as regras restritivas exigidas por Trump.
A juíza Indira Talwani, de um Tribunal Distrital Federal em Massachusetts, havia bloqueado temporariamente o plano por entender que a agência extrapolou seu mandato legal e poderia causar caos a dois meses das eleições de meio de mandato. O relatório indica que o trabalho continuou mesmo após a decisão da magistrada na semana passada.
A medida impactaria estados com disputas acirradas para o Congresso e governos estaduais. Em Michigan, 37% dos votos foram enviados por correio em 2022. Na Califórnia, onde todas as cédulas são enviadas por correio, o sistema é visto como fundamental para a estratégia dos democratas na Câmara. Um funcionário do órgão se recusou a comentar oficialmente.


