O setor aeroespacial registrou 154 acordos de fusões e aquisições divulgados publicamente até agosto de 2026, segundo dados do banco de investimentos Janes Capital Partners. O volume se aproxima do recorde de 159 transações estabelecido em 2019, impulsionado por cronogramas de produção mais previsíveis da Boeing e da Airbus.
Os compradores buscam garantir o fornecimento de componentes essenciais e adquirir capacidades de fabricação especializadas, além de mão de obra qualificada. A GE Aerospace anunciou nesta semana a compra da Consolidated Precision Products, fornecedora de peças fundidas, por US$ 12 bilhões para expandir a produção de motores. Em maio, a Parker Hannifin concordou em adquirir a divisão aeroespacial da Circor por US$ 2,6 bilhões.
As transações de 2026, que somam US$ 14 bilhões até agosto, não incluem o negócio recente da GE. No ano passado, foram 157 negócios que totalizaram US$ 37,5 bilhões. O maior valor anual histórico ocorreu em 2015, com 106 transações que somaram US$ 59,4 bilhões. A maioria dos negócios atuais envolve compradores estratégicos e fundos de private equity adquirindo fornecedores de pequeno e médio porte.
A Boeing estabilizou a produção do modelo 737 MAX e entregou 600 aviões no ano passado. A empresa está a caminho de superar esse número em 2026. Já a Airbus projeta entregar 870 aeronaves este ano, o que superaria seu recorde anterior de 863 unidades em 2019.
A previsibilidade nas receitas, após as oscilações causadas pela pandemia, permitiu que investidores voltassem a precificar o desempenho futuro das empresas. Stephen Perry, diretor-gerente da Janes Capital, afirmou que anteriormente não havia como estimar as receitas dos alvos.
A disputa por pequenos fornecedores cresceu. Uma proprietária de oficina mecânica em Springfield, Massachusetts, relatou receber de duas a três ligações diárias de possíveis compradores. A empresa conta com algumas dezenas de funcionários e é visada devido à escassez de mão de obra qualificada no setor.


