O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a investigação da atuação do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no financiamento do filme “Dark Horse”. A decisão, tomada em julho e tornada pública nesta quinta-feira (10), analisa se houve crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
A autorização foi incluída no inquérito principal do caso Banco Master, que teve o sigilo retirado pelo magistrado. A Polícia Federal solicitou a instauração de procedimento sigiloso em apartado para apurar delitos cometidos, em tese, pelo parlamentar no contexto da produção da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Registros de áudio e mensagens de WhatsApp, divulgados em maio, indicam que Flávio Bolsonaro negociou o financiamento da obra com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em um áudio de 2025, o senador pediu US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). Vorcaro teria se comprometido a pagar o valor em 14 parcelas, com a estimativa de que R$ 60 milhões já tenham sido pagos.
As apurações surgiram como desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e seu fundador. O congressista nega irregularidades. Procurada por mensagens, a defesa de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos até a publicação da matéria.
O tema é alvo de duas investigações simultâneas no STF. Além do inquérito conduzido por André Mendonça, o ministro Flávio Dino também apura como a obra foi bancada, sob a suspeita de que emendas ao Orçamento possam ter sido usadas de forma irregular. O pedido de investigação relatado por Dino partiu dos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Henrique Vieira (Psol-RJ).

