Subsídios agressivos e preços artificialmente baixos podem deixar de ser uma estratégia de conquista de clientes para se tornarem instrumentos de fechamento do mercado de entregas. A conclusão integra um estudo do Instituto Esfera de Estudos e Inovação, realizado em parceria com o iFood, que defende a atuação preventiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O trabalho sustenta que os subsídios auxiliam na fase inicial de uma plataforma para viabilizar o negócio. O risco ocorre quando a prática é mantida ou intensificada para pressionar rivais com menor capacidade financeira. Empresas com acesso a grandes volumes de capital conseguiriam sustentar operações deficitárias por períodos prolongados.
Essa dinâmica dificultaria a sobrevivência de concorrentes e reduziria a possibilidade de restaurantes, consumidores e entregadores atuarem simultaneamente em diferentes plataformas, prática chamada de multi-homing. O Instituto Esfera baseou a tese em experiências internacionais, especialmente da China.
Uma pesquisa citada no documento, com mais de 40 mil estabelecimentos, indicou que guerras promocionais elevaram o volume médio diário de pedidos, mas reduziram a receita efetiva e os lucros dos restaurantes. O estudo sugere que o Cade acompanhe estratégias que possam evoluir de mecanismo de entrada para instrumento de exclusão.
A análise ocorre enquanto o Cade aprofunda investigação sobre cláusulas contratuais da 99Food com restaurantes. A autarquia decidiu, no dia 2 de setembro, dar continuidade ao processo e determinou novas diligências para examinar os efeitos dessas cláusulas sobre a atuação dos estabelecimentos em múltiplas plataformas.
A investigação foi aberta após representação da Keeta, que alegou restrições contratuais da 99Food. O órgão negou, por enquanto, o pedido de medida preventiva da empresa e informou que a continuidade do processo não representa conclusão sobre infração à ordem econômica.


