O governador Tarcísio de Freitas demitiu, nesta quinta-feira (3), o delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo. A punição, publicada no Diário Oficial com efeito imediato, decorre de um processo administrativo sobre a encenação de um resgate de refém em 2020.
A decisão final partiu do governador, que considerou insustentável a situação do policial devido ao histórico de problemas, segundo integrantes da gestão estadual. Da Cunha, que é deputado federal pelo União Brasil e candidato à reeleição, já havia escapado de duas propostas anteriores de demissão aprovadas pela cúpula da Polícia Civil.
O processo determinante envolve o sequestro de um homem em julho de 2020, na favela da Nhocuné, zona leste de São Paulo. De acordo com depoimentos da vítima e de policiais, agentes localizaram o cativeiro e libertaram o refém, mas Da Cunha teria ordenado que a vítima retornasse ao imóvel para que a operação fosse reencenada para câmeras de sua própria equipe.
Na gravação, utilizada para impulsionar seu canal nas redes sociais, o delegado aparece comandando a invasão e o resgate. A vítima relatou ter aceitado voltar ao local sob a justificativa de que a cena serviria como prova para a investigação, mas depois descobriu que as imagens seriam publicadas no YouTube. O homem afirmou ter sentido risco ao ser colocado ao lado de um criminoso perigoso.
Da Cunha admitiu que a operação foi encenada, alegando tratar-se de uma reprodução simulada para auxiliar o processo. No entanto, a Corregedoria ouviu policiais que tentaram convencê-lo a desistir da farsa. A cena precisou ser gravada duas vezes porque, na primeira tentativa, o sequestrador apareceu algemado, o que evidenciaria a encenação.
Outros processos disciplinares contra o delegado incluíram a acusação de inventar a prisão de um chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) para produzir conteúdo digital, além de ataques públicos a superiores, como o ex-governador João Doria. Em maio de 2022, o Conselho da Polícia Civil já havia proposto sua expulsão por falsamente atribuir a si a prisão de um suspeito, vídeo que alcançou 30 milhões de visualizações.
O deputado estava afastado das funções policiais para exercer o mandato na Câmara dos Deputados. Sem a demissão, ele poderia retornar à corporação caso deixasse o cargo parlamentar. Procurado por telefone e e-mail, Da Cunha não se manifestou até a tarde desta quinta-feira.


