O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta quarta-feira (2) ser favorável a todas as investigações e quebras de sigilo sobre pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração ocorreu durante agenda de campanha na Zona Leste da capital, após o vazamento de conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Tarcísio declarou que a suspeição sobre a Corte máxima do país é grave e perigosa, alegando que a falta de confiança no Judiciário gera uma fissura no Estado Democrático de Direito. O governador foi questionado sobre a menção ao seu nome em relatório da Polícia Federal, no qual o ministro Alexandre de Moraes teria manifestado incômodo com o destaque dado a Tarcísio em evento em Londres no ano passado.
Sobre o evento, o governador afirmou que não houve convite oficial e que não chegaria a confirmar a ida. O documento da Polícia Federal, extraído do celular de Vorcaro, foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master.
Questionado sobre a relação do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro, Tarcísio defendeu a divulgação de todas as informações. A apuração refere-se a repasses para a produção do filme Dark Horse. Segundo a imprensa local, o senador teria recebido US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões) de Vorcaro, valor que supera a quantia admitida anteriormente pelo parlamentar.
O governador afirmou que a transparência e a responsabilização são caminhos para retomar a confiança nas instituições. Ao ser perguntado se o aprofundamento das investigações contra Flávio Bolsonaro poderia prejudicar a candidatura do senador, Tarcísio disse que isso não ocorreria desde que não surgissem fatos novos.
As declarações contrastam com fala do governador na semana anterior, quando disse que o senador já havia dado explicações sobre o caso. Flávio Bolsonaro, ao ser questionado anteriormente por repórteres em São Paulo, classificou a relação como privada e afirmou que o governo federal é quem deve explicações ao país.


