O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta quinta-feira (3) que a tarifa da Sabesp está 15% abaixo do valor que seria cobrado caso a empresa continuasse estatal. A declaração ocorreu durante visita às obras do Rodoanel Norte, na capital paulista, em meio a críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a privatização.
Tarcísio atribuiu o resultado a três fatores: a destinação de 30% do valor da venda da companhia para um Fundo de Apoio à Universalização, o aporte de 100% dos dividendos estaduais nesse mesmo fundo e uma alteração na revisão tarifária. Segundo o governador, o modelo anterior incorporava investimentos previstos antecipadamente na base de cálculo, prática que ele chamou de “forward lucro”.
No sistema atual, a incorporação de investimentos à tarifa ocorre apenas após a execução efetiva da obra. Questionado sobre o reajuste pós-privatização, Tarcísio informou que houve uma correção de cerca de 6%, equivalente a um ano e meio de inflação acumulada, mas negou a existência de aumento real.
O governador afirmou que o Estado ampliou as faixas de desconto da tarifa social. Além dos 50% previstos em contrato, foram criadas faixas de 72% e 78% de desconto, com redução de 10% para consumidores considerados vulneráveis.
Sobre as obras de saneamento, Tarcísio disse que o bairro de Perus, na zona norte de São Paulo, terá 100% de coleta e tratamento de esgoto até outubro, com a instalação de 41 km de rede coletora, um coletor-tronco e seis estações elevatórias. Em Guarulhos, o tratamento de esgoto subiu de 2% para 45%, com previsão de chegar a 78% até o fim do ano.
Ao comentar as críticas de Fernando Haddad, o governador declarou que não pretende responder no mesmo tom por considerar a campanha de “baixo nível”. Tarcísio afirmou que a resposta será dada pelo eleitor de São Paulo nas urnas.


