Investidores mantiveram nesta sexta-feira (4) a redução de prêmios na curva a termo brasileira, com foco na corrida eleitoral e em tensões no Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento ocorreu mesmo com a alta dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos, após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho norte-americano.
No final da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 fechou em 13,585%, queda de 1 ponto-base. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 registrou 14,255%, recuo de 3 pontos-base. No acumulado da semana, as taxas para 2028 e 2035 tiveram baixas de 19 e 33 pontos-base, respectivamente.
O cenário externo trouxe volatilidade após o Departamento do Trabalho dos EUA informar que a economia criou 162 mil postos de trabalho em agosto, quase três vezes a projeção de 56 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%. O resultado elevou as apostas de que o Federal Reserve subirá os juros em breve, impulsionando os Treasuries, com o título de dois anos operando a 4,377% às 16h52.
No Brasil, a atenção se voltou para a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira. O levantamento mostra empate técnico em simulação de segundo turno: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com margem de erro de 2 pontos percentuais. A redução da distância entre os candidatos favorece a queda do dólar e dos prêmios na curva a termo.
Tensões no STF também impactaram a percepção do mercado. O presidente da corte, Edson Fachin, retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação contra o ministro André Mendonça. O embate envolve acusações de improbidade administrativa feitas por Alexandre de Moraes contra Mendonça, enquanto este relata supostas relações de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no caso do Banco Master.
Nicolas Gass, sócio da GT Capital, afirmou que o mercado não está precificando risco institucional, mas sim a probabilidade de alternância de poder. Segundo Gass, as críticas de Flávio Bolsonaro a Moraes e os dados do Datafolha serviram como combustível para a movimentação dos ativos.


