As taxas do Tesouro Direto registram alta generalizada nesta terça-feira (1º), acompanhando a subida dos juros globais. O movimento é impulsionado por novas hostilidades no Oriente Médio, após ataques de forças americanas contra o Irã e a interceptação de um navio-tanque no Estreito de Ormuz.
O rendimento do Treasury de dez anos, principal referência global, subiu 3 pontos-base e atingiu 4,788%, o patamar mais alto desde 14 de janeiro de 2025. Títulos de 30 e dois anos também avançaram, com altas de mais de 2 e 1 ponto-base, respectivamente. O petróleo reagiu à escalada, com o WTI superando US$ 87 e o Brent ultrapassando US$ 92 por barril.
No mercado brasileiro, o título IPCA+ 2050 teve a maior variação do dia, saltando de 7,32% na segunda-feira para 7,40% nesta manhã. O IPCA+ 2032 subiu de 8,04% para 8,11%, enquanto os prefixados 2032 e com Juros Semestrais 2037 passaram de 14,62% para 14,69%. Nos demais vencimentos, a alta variou entre 5 e 7 pontos-base.
Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos das Américas do UBS, afirmou que a ausência de um caminho para a reabertura do estreito mantém elevadas as preocupações com a inflação. Segundo a executiva, a volatilidade deve persistir devido a incertezas sobre a política do Federal Reserve, questões fiscais e emissões de dívida ligadas à inteligência artificial.
No cenário interno, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação ao período anterior. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, embora confirme a tendência de desaceleração da economia. Investidores monitoram ainda a reunião de ministros de finanças do G20 em Asheville, na Carolina do Norte.
A agenda de indicadores americanos também influencia o mercado nesta terça-feira, com a divulgação do ISM industrial e dos dados de JOLTS. O relatório de payroll está previsto para sexta-feira.

